Pluto Volume 1
Vejam a excelente review de Gabriel Martins
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Naoki Urasawa é um nome bem conhecido do mundo da BD, mais especificamente do mangá. É o autor de “Monster” e “20th Century Boys” as suas duas séries mais premiadas até à data.
Em 2003 decidiu embarcar numa nova aventura, de nome “Pluto” (vencedor do grande prémio Tezuka Osamu Cultural Prize) ao reiventar a história clássica de Astro Boy, “The Greatest Robot on Earth”, aproveitando assim para voltar a dar vida a uma das histórias que mais o marcou durante a infância e homenagear ao mesmo tempo o seu criador Osamu Tezuka.
A primeira grande surpresa do livro é que Astro Boy (Mighty Atom numa tradução mais literal do japonês) não é o seu personagem principal, mas antes Gesicht um robot detective alemão de aparência humana.
A história tem início precisamente com Gesicht a investigar a ocorrência de dois homicídios. O primeiro trata-se da morte de Mont-Blanc, um robot Suíço protector da natureza, que era não só um dos robots mais avançados tecnologicamente como também um dos mais amados pela população tendo estado envolvido em várias acções humanitárias sendo por exemplo um dos grandes responsáveis pela actual paz na Ásia após a 39º guerra central. A segunda vítima é Bernard Lanke um humano envolvido profundamente nos movimentos defensores dos direitos dos robots. Dois homícios, um robot e um humano, cometidos em locais diferentes e sem qualquer ligação aparente salvo a excepção de que ambos os corpos foram decorados com objectos na cabeça para terem a forma de cornos. Esta única semelhança é tão particular que é suficiente para Gesicht assumir que os casos estão ligados.
Os robots são construídos de forma a não serem capazes de matar humanos (apesar de uma excepção já ter ocorrido) e nenhum vestígio humano foi encontrado em ambos os locais do crime, o que dificulta a questão de “o quê ou quem cometeu estes crimes horrendos?”.
Como tinha referido um robot já tinha sido capaz de matar um humano, seu nome Brau 1589, a sua localização, Bruxelas numa instituição correccional de alta segurança para robots. A cena em que Gesicht o questiona é uma das minhas predilectas evocando ambientes que relembram momentos clássicos do género, como o mítico encontro entre Hannibal Lecter e Clarice Starling em “Silence of the Lambs”. Achei no entanto o ênfase dado ao nome “Pluto” exagerado, mas talvez os personagens saibam algo que ainda não foi revelado.
“Pluto” é um mangá policial cujo primeiro volume se desenrola a um bom ritmo e que nos mantém sempre presos à história, a querer saber mais sobre este mistério. A investigação alterna com outra história dedicada ao robot escocês North No. 2, um dos mais poderosos robots que combateu na 39º guerra central da Ásia e que começa agora uma nova forma de vida ao se tornar mordomo de um famoso pianista cego. Este pequeno momento dedicado a North No. 2 e que explora o desenvolvimento entre a sua relação e a deste pianista amargurado pelo tempo é de uma beleza notável e que mostra que os robots também podem sonhar ou ser atormentados pelo passado, fantástico.
Um dos objectivos de Naoki Urasawa ao criar “Pluto” era também que leitores mais jovens tivessem curiosidade em ir descobrir o clássico dos anos 50, “Astro Boy”. Por mim posso já dizer que funcionou, nunca li nem vi o animé, mas irei definitivamente procurar os livros desta obra de Osamu Tezuka, porém é algo que apenas farei após concluir “Pluto” não vá descobrir “surpresas” antes do tempo devido.
Como não conheço a obra em que esta foi baseada não as posso comparar a qualquer nível, porém ao ler “Pluto” o nome de Isac Asimov surgiu mais do que uma vez na minha mente, pois também aqui os robots e a inteligência artificial são explorados de uma forma muito interessante.
Além de Urasawa, “Pluto” conta também com Takashi Nagasaki como co-autor e com a supervisão de Macoto Tezka (filho de Tezuka).



